At the beginning



O processo de realização, seja de qualquer projeto que temos em nossa vida, é desafiador e requer trabalho. A autora de Flos Ignis, Costanza Batalha, falou um pouco sobre essa caminhada e os desafios que encontrou pelo caminho. Dando dicas e até mesmo brincando um pouco com o leitor.


"Oi, eu sou a Costanza. Mas eu também posso falar que oi, eu sou a Vivi, ou (insira aqui qualquer pseudônimo que eu queira utilizar, acredite, eu uso muitos), porém isso não é o importante.


Aviso de uma vez que aqui não vou usar palavras de lição zen ou auto ajuda barata, na verdade, quero colocar aqui um pouco do que aprendi ao longo desses meus quase trinta anos. Acontece que apenas depois de ter a experiência de participar do lançamento de um livro, eu consegui enfim parar, olhar para trás e pensar em uma resposta satisfatória do que foi o caminho para chegar perto da.minha realização pessoal.


Pois é, eu não sou muito ambiciosa. A realidade é que tudo que quis foi contar a história. Mas a caminhada para chegar à conclusão do projeto, tudo que tive de encarar dentro de mim, as batalhas internas que podiam ou não me desviar, ... esses detalhes particulares, comuns para a maioria daqueles que escrevem, são muitas das vezes transformados, até mesmo por nós, em palavras rasas e econômicas. Talvez porque não queremos contar para ninguém isso, por receio de os entre lar, ou porque a verdade é que ninguém quer contar sobre seus momentos frágeis, os primórdios de sua caminhada. Afinal, somos contadores de historias, mas raramente são as nossas.


Por anos eu fui crítica em uma página do Facebook, assistia filmes, series, doramas, Musicais, lia livros e pontuava e comunicava em minhas palavras ao mundo sobre a minha opinião, hoje, sou alguém passível de receber uma crítica.


Sim, eu posso encher a boca agora e falar que eu não critico apenas obras, eu escrevo novas obras. E o que isso muda as coisas? Não muito, na verdade. Então, porque eu coloquei o nome de uma música como título, e estou aqui tagarelando no meu melhor estilo... não sei, eu escrevo perguntas, vocês escolhem as respostas que querem dar... certo, vamos do começo dessa linda jornada... Ok, não tão linda.


Que tal algumas dicas para a gente se reconectar? Sem falsa modéstia, mas caso você seja alguém com um projeto de vida e que mesmo se esforçando não esteja encontrando o devido reconhecimento que sabe e sente que sua obra merece, esta é para você. Sim, meu querido grilinho quase infeliz, você veio para a titia te explicar como alcançar o sucesso no seu projeto. Ou então só está aqui por acasos de DEUS, destino, ou deuses e forças alienígenas. Acredite no que quiser, façamos essa jornada juntos.


Ah, pera pera pera... E vou falar da minha experiência, mas as dicas aqui podem ser aplicadas a qualquer projeto, certo?


Item 1- CRÍTICAS

Sim, eu sempre fui a mais chata com as críticas, então, lindo grilo cantante, deve estar agora pensando: “Ahá, agora ela vai pagar os dedos ácidos quando criticava a obra alheia.” Então, pode até ser meu amor, realmente pode rolar um revirar dos meus lindos olhos castanhos, (que eu ia amar que fossem azuis ou cinza, mas nasci com o dom de contar histórias e ser esperta, não bonita... fazemos o que podemos, não é?), o lance é que todo que é produzido necessita da balança do equilíbrio, sim o Thanos tinha certa razão em alguns lances, mesmo sendo um psicopata, é preciso um equilíbrio. E as críticas são essa balança. Como qualquer objeto, essa balança pode ou não estar certa. E bem, há um fato indiscutível na categoria de criador, somos os nossos maiores críticos. Nossa capacidade crítica consegue ser muitas vezes mais potente que as críticas mais ásperas. Então se você é incapaz de criticar seu objeto de estudo, seu projeto... desculpa que seja eu a te falar isso, está se enganando. Tudo que existe no mundo é passível de crítica. Não existe e nem nunca existirá a perfeição absoluta e irresoluta.


Então a primeira coisa, o meu início antes de entrar de cabeça em criar algo foi assimilar que seja lá o que eu crie, alguém vai criticar, alguém vai amar e alguém vai odiar e bem, alguém vai simplesmente curtir, e vou ter que estar bem.


Tem uma coisa que eu acredito e que depois que trouxe para a minha vida me ajudou muito: Escrever (coloque aqui o que você mais ama fazer, aquilo que é o cerne do seu projeto) é meu ato egoísta mais altruísta. Sim, ser criador é também ser paradoxal. Egoísmo puro por ser algo único e especial para mim, algo que sinto como se somente eu pudesse fazer. Altruísta porque é meu pedaço mais profundo e secreto da alma, do meu ser, da minha essência mais pura, que eu entrego ao mundo sem nem pensar.


Aceitar que você vai levar críticas, que até mesmo algumas delas serão capazes de te machucar, foi a primeira coisa que eu precisei aprender, assimilar e aceitar. E eu não nasci sabendo isso. Ou pelo menos, não aceitando isso, de coração. Levou um bom tempo.


Cada projeto vai ter um peso emocional diferente e, o mesmo vai acontecer com o peso que as críticas terão para você, nobre criador! Eu precisei de muito tempo para entender de verdade isso. Filtrar o que de positivo cada crítica me traz, porque sim, começar pelas críticas é a melhor dica que posso oferecer. E isso por dois motivos bem simples. São eles: Ninguém gosta de ser criticado pelos outros, se você falar que gosta é um mentiroso. E, por fim, ou para começo de conclusão, quando criamos algo somos sempre os nossos maiores críticos. E sim, eu estou me repetindo de propósito, quem sabe assim a gente não tatua isso na mão para não esquecer? O que me lembra a sádica da Umbridge, então esquece a tatuagem na mão, foca só em gravar isso mesmo. Que quando criamos, somos os piores e mais céticos críticos.


Então, chegamos na conclusão. Eu sei te ensinar a aceitar as críticas? Lógico que não! Isso é um processo e comigo foi bem lento e tortuoso, e não, isso não é uma vergonha. Não pode ser uma vergonha você amar tanto alguma coisa que se machuca ao simples desrespeito por esta obra, porque é muito difícil que seu interior assimile que aquele seu pedaço, tão especial e importante, não é a coisa mais maravilhosa do mundo para o outro, para seu crítico.


Entenda, aqui eu estou falando sobre as críticas que podem ser aproveitadas com algum ensinamento, que dá para tirar algo de útil, e não as que são desrespeitosas. Essas a gente só ignora e passa por cima.


Então Costanza, o que é uma boa crítica, quando eu posso focar em uma e quando eu devo deixar pra lá se todas elas acabam ferindo o EGO do criador de alguma forma?

Então aqui entra a minha vasta experiência com a página que entre vindas e idas me ajudou bastante a me construir como crítica. Não vou mentir e falar que eu nunca experimentei criticar nada antes ou que eu mesma já ama o fui uma péssima crítica, mas como seres humanos, estamos sempre em constante modificação.


E quanto mais críticas eu fazia, mais e mais aprendia como construir de forma perspicaz e respeitosa a minha opinião sobre alguma obra. No próximo item eu vou tentar explicar melhor esse processo, mas enfim, o que posso adiantar é que uma crítica que você deve realmente levar em consideração não deve ser nunca extremista. O que quero dizer não é que você está proibido de falar que não gostou de algo, mas que deve tratar este algo com o máximo de respeito e entender que uma boa crítica e que vale a pena ser levada a sério, é aquela que tem pontos positivos e negativos destacados. Toda obra tem algo de bom para acrescentar para alguém em algum lugar do mundo e mesmo que você esteja sendo o alecrim dourado escolhido para criticar algo, não pode nunca esquecer de respeitar o que está criticando, como se fosse seu.


Para encerrar esse ponto, é essa a sua bússola para saber quando deve ou não prestar atenção em uma crítica. Se ela apenas prioriza seus pontos negativos e não oferece a visão de nada positivo, ESQUEÇA! Não vai valer seu tempo. E para as boas críticas, então é com você escolher aceitar e progredir no que dá ou simplesmente conhecer.

Item 2- ESTUDO

Calma! Apesar da titia ser professora, eu não vou falar aqui sobre o estudo da forma acadêmica como um todo. E sim sobre o estudo do seu projeto. Parece que é óbvio, mas acredite, conforme eu vou me aprofundando em algumas questões do meu próprio, percebo que o estudo nunca acaba.


Divido em três etapas. Estudo inicial que é quando você deve responder perguntas básicas sobre: O que é seu projeto, como ele começou, qual o motivo de ele existir, o que ele significa para o mundo como um todo, por que alguém deve se dar ao trabalho de o conhecer? A segunda parte é o estudo é sobre sua história, sua narrativa, a escolha de narrar, a escolha emocional e passional do projeto. Quais sentimentos quer despertar? O que na sua obra tem relação com esse objetivo, o que você sentiu e o que passou? E então, a terceira parte do estudo, a mais complicada. O estudo do ego.


Eu digo que esta é a parte mais complicada do estudo porque tida obra é sim muito importante para seu criador, mas e para o todo? E não, eu não vou desmerecer nenhuma obra aqui, mas por vezes precisamos estudar nosso próprio ego, pois há obras que no seu primeiro respirar não tocam, e vão alcançar alguma relevância tempos depois, quando o mundo está pronto para elas. Então, estude e conheça seu ego o suficiente para não enlouquecer (muito) se este for seu caso.


Seja aquele que mais critica, que mais respeita, conhece e ama sua obra, mas saiba que o mundo pode não ver tão assim, e do mesmo jeito, vai estar tudo bem. Você é talentoso. Mesmo frágil, ou forte. E se seguiu em frente com seu projeto e o concluiu, é um vencedor sim.

Item 3 – DEDICAÇÃO

Quem nunca procrastinou que atire a primeira pedra. Todo mundo enfrenta momentos em que simplesmente não consegue mais. Não consegue seguir em frente, se dedicar, simplesmente quer ficar parado olhando para um ponto fixo e se perguntando: “O que eu estava pensando quando comecei isso?”


Estou aqui para falar que esse momento é normal e natural. Isso é basicamente a sua insegurança é o seu medo tentando te preservar de viver uma emoção que pode ou não ser boa. Um instinto de preservação.


Só que eu tenho uma pergunta para você que chegou aqui, porque todas as grandes caminhadas começaram com um primeiro passo, e eu quero saber de você, seu projeto, você realmente o sente como importante, e dessa vez, pense não no mundo, isso é irreal para se pensar, e ninguém quer realmente o mundo inteiro, pense em você. O seu projeto, ele é importante para você?


Se a resposta for sim, se você sente que precisa disso, então, experimente! A vida é feita de emoções. Sejam elas boas e ruins, um pouco das duas e se quiser série que tem realmente sucesso em algo, não tem jeito, precisa se arriscar.

Já dizia o RBD: “ Tudo na vida é perder ou ganhar, tem que arriscar sem medo.”


E são essas as minhas dicas de sucesso.

Ah, e no meu momento ternurinha, deixo um poeminha dos meus 9 anos:


Celebre meu amor junto ao tempo

O cantar e o contentamento

Pois se há perdido outrora nisto

E se há cantado de um pouco disso dito isto

E olhos profundos e claros,

De florestas verdejantes,

Onde nada se encontra

Mas que minha verdade se esconda

Para um deus, mais belo que Apolo

Mais doce que o vinho dos faunos

Se encante de meus mistérios e venha me cortejar

Que a Lua lhe mande meus beijos

E o vento a lhe soprar

A verdade sussurrante,

Para sempre vou te amar

Mas talvez meu amado

Sonho cálido como o verão

Não reconheça no mar o desejo

Sonho, realidade e paixão

E que revolta me atinge

Por não poder lhe falar

Que seus olhos de floresta

Para mim quero roubar

E poderia meu suplício

Ao eterno se apagar

Se ao acordar ele me cobrisse

Com seus beijos até... quizá?"


Poderíamos até iniciar um bate papo sobre toda essa questão de dificuldades, realizações e persistências, afinal, sonhos não são, como muitos dizem, para a hora de dormir. São objetivos que temos de agarrar e realizar.


©2020 Editora Crystal Books